EIXOS TEMÁTICOS

EIXOS TEMÁTICOS | 65º COBEM

Tema Central:
EDUCAÇÃO MÉDICA TRANSFORMADORA:
FLORESCIMENTO HUMANO, EQUIDADE E SAÚDE PLANETÁRIA


EIXO 1: Florescimento Humano, Ética e Profissionalismo

Este eixo aborda a educação médica como espaço de desenvolvimento da pessoa e de construção de uma identidade profissional comprometida com o cuidado integral e a responsabilidade social. Em consonância com as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Medicina, propõe discutir como os processos formativos podem favorecer autoconhecimento, pensamento crítico e reflexivo, comunicação empática e assertiva, relações respeitosas, tomada de decisão ética e capacidade de reconhecer e lidar com a complexidade do cuidado.
Valoriza experiências educativas que articulem as dimensões técnico-científica, socioemocional, relacional, cultural, ética e espiritual da formação e da prática médica. Reconhece a espiritualidade como dimensão da experiência humana e do cuidado, relacionada a valores, crenças, vínculos, propósito e busca de sentido. Explora também o potencial da arte e de diferentes linguagens expressivas nos espaços formativos para ampliar a sensibilidade, a percepção de si e do outro, a criatividade e a reflexão sobre as experiências vividas.
O eixo reúne experiências, práticas e reflexões que fortalecem o profissionalismo e o compromisso com pessoas, famílias, comunidades, com a sustentabilidade da vida e com o Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para uma educação médica capaz de promover o florescimento de educandos e educadores e transformar modos de cuidar, ensinar e aprender.


EIXO 2:  Equidade, Diversidade e Responsabilidade Social como caminhos a trilhar

Este eixo busca discutir a equidade, a diversidade e a responsabilidade social como compromisso ético, político e pedagógico estruturante para a mudança da formação e do trabalho em saúde no Brasil. A discussão abrangerá o enfrentamento ativo das iniquidades em saúde e a consolidação de práticas de ensino e de cuidado antirracistas, anticapacitistas e antidiscriminatórias, orientadas para o reconhecimento e a valorização das pluralidades étnico-raciais, de gênero e sexualidade, religiosas, socioculturais e outras diversidades. Inserem-se nessa reflexão o papel das escolas médicas e dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) no combate às opressões institucionais, no fomento ao engajamento comunitário e no desenvolvimento de competências culturais, interprofissionais e ético-críticas durante e após a graduação.
Da mesma forma, o eixo convida a debater a resposta do ensino às demandas reais de saúde de populações vulnerabilizadas e historicamente marginalizadas, reforçando a integração ensino-serviço-comunidade e os Direitos Humanos. Busca-se, assim, refletir sobre a responsabilidade institucional na consolidação do SUS e na construção de um cuidado verdadeiramente justo, democrático e humanizado.


EIXO 3: Saúde Planetária e Transformação Digital – Educação para comunidades e território

Este eixo propõe que a escola médica assuma protagonismo diante da crise socioambiental contemporânea. A perspectiva da Saúde Planetária exige que currículos e práticas pedagógicas integrem os impactos das mudanças climáticas, da poluição, da insegurança hídrica e alimentar, dos eventos extremos, do racismo ambiental e do descarte inadequado de resíduos — incluindo os resíduos eletrônicos gerados pela própria expansão tecnológica —, reconhecendo-os como determinantes do processo saúde-doença. Nesse cenário, o letramento digital deixa de ser uma competência meramente instrumental e se revela também uma questão de saúde planetária e de justiça socioambiental: de um lado, amplia o acesso à informação, ao monitoramento climático e ao cuidado em territórios vulneráveis; de outro, exige consciência crítica sobre o custo ambiental da própria infraestrutura digital e sobre as desigualdades de acesso que ela pode reproduzir. Esses desafios não devem ser tratados como tópicos isolados, mas como dimensões integradas da prática clínica e da educação.
Nessa mesma chave, a inteligência artificial, a governança e proteção de dados e a ética dos algoritmos devem ser incorporadas criticamente à formação, de modo a reduzir desigualdades e fortalecer a justiça socioambiental.
A integração ensino-serviço-comunidade ganha novas camadas de complexidade, sustentada pela extensão universitária, amplia a capacidade da formação em dialogar com os territórios e suas vulnerabilidades. O SUS, como espaço privilegiado de articulação entre políticas públicas, práticas assistenciais e formação, possibilita a construção de uma cultura regenerativa, em que cuidado e educação se entrelaçam.
Assim, este eixo articula saúde planetária, transformação digital e extensão como dimensões inseparáveis, formando profissionais comprometidos com a equidade, a justiça ambiental e a regeneração dos sistemas de vida.


EIXO 4: Processos Avaliativos como instrumentos de transformação

Este eixo aborda os processos avaliativos como componentes estruturantes da educação médica, indutores do desenvolvimento de competências, da aprendizagem e da melhoria contínua da formação. Em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2025, propõe discutir a avaliação contínua e integrada nas dimensões diagnóstica, formativa e somativa, ultrapassando a mera mensuração para se consolidar como espaço de diálogo e transformação.
A abordagem contempla desde a graduação até a residência médica e a vida profissional, valorizando o alinhamento construtivo, a avaliação programática, o acompanhamento longitudinal e o feedback estruturado. Serão debatidos processos e instrumentos avaliativos diversificados, assegurando validade, confiabilidade, equidade, integridade acadêmica e a gestão dos dados provenientes do processo de avaliação.
O eixo problematiza ainda o uso ético da inteligência artificial e de tecnologias digitais, a formação docente para avaliar e as relações de poder e vieses no ambiente de aprendizagem, garantindo segurança para aprender com o erro e a transparência. Por fim, debate como as evidências avaliativas qualificam práticas pedagógicas, estimulam a autoavaliação institucional e fortalecem a integração ensino-serviço-comunidade alinhada às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).


EIXO 5:  Cuidado Integral, Inclusão e Permanência para educadores e educandos

Este eixo propõe uma reflexão crítica sobre as condições necessárias para que educadores e educandos possam ensinar, aprender e permanecer nos espaços de formação médica de forma plena, saudável e equitativa. Parte-se do reconhecimento de que a permanência na educação médica não depende apenas de acesso, mas de acolhimento institucional sistemático às diferentes formas de ser, funcionar e aprender.
Um dos determinantes dessa discussão é a neurodiversidade, compreendida não como desvio a ser corrigido, mas como expressão legítima da variabilidade natural do funcionamento humano. Além disso, as diversas histórias, trajetórias e representações sociais, raciais, étnicas e culturais constituem pontos importantes no processo de ensino-aprendizagem e essa mudança de perspectiva convoca as instituições formadoras a repensar currículos, metodologias avaliativas e culturas pedagógicas, acolhendo diferentes formas de ensinar e aprender.
Ao problematizar o contexto acadêmico como agente ativo, e não neutro, na promoção ou no obstáculo ao ensino, à aprendizagem e ao bem-estar de educadores e educandos, considera-se que ambientes rígidos, competitivos e regidos pela lógica da produtividade tendem a gerar sobrecarga, adoecimento e exclusão silenciosa, enquanto ambientes flexíveis, dialógicos e sensíveis à diversidade favorecem florescimento humano, permanência e uma formação médica mais humanizada.


EIXO 6:  Produção Acadêmica e Inovações – construção de evidências em educação

Este eixo discute a produção, a avaliação, a disseminação e a incorporação de evidências científicas na educação médica. Abrange diferentes abordagens teóricas e metodológicas de investigação na área, a síntese de evidências e a avaliação de programas e intervenções.
Contempla o percurso entre a identificação de problemas, a produção de conhecimentos, o desenvolvimento de inovações curriculares, pedagógicas, avaliativas e institucionais, a análise de seus resultados e sua incorporação às práticas educacionais. Inclui o letramento científico construído com e para a comunidade acadêmica, ampliando a capacidade de estudantes, docentes, preceptores e gestores para compreender, avaliar criticamente e utilizar evidências.
Considera também a formação de pesquisadores, a contribuição da pós-graduação lato e stricto sensu, da extensão universitária, das redes de colaboração, da ciência aberta e da integridade acadêmico científica. Discute, ainda, a tradução do conhecimento para práticas, políticas e processos decisórios, considerando a relevância e o impacto da produção acadêmica e técnica para a formação médica e de educadores, para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a sociedade.